sexta-feira, 18 de setembro de 2026
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Desembargadora ministra palestra sobre violência doméstica a alunos surdos no Instituto Filippo Smaldone em Manaus

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Desembargadora ministra palestra sobre violência doméstica a alunos surdos no Instituto Filippo Smaldone em ManausPalestra do “Projeto Maria Vai à Escola” abordou prevenção e denúncia de violência doméstica a alunos surdos, com recursos de acessibilidade.

A desembargadora Maria das Graças Pessôa Figueiredo, secretária executiva da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Amazonas (Cevid/TJAM), ministrou na manhã desta sexta-feira (18/9) uma palestra sobre violência doméstica e familiar contra a mulher para cerca de 50 pessoas no Instituto Filippo Smaldone, localizado na avenida Tókio, bairro Planalto, zona Centro-Oeste, em Manaus. A atividade integrou o Projeto Maria Vai à Escola e contou com intérpretes de Libras e apoio artístico para facilitar a interação.

A atividade e a acessibilidade

A escola filantrópica católica de educação especial existe há mais de 40 anos em Manaus e adota ensino bilíngue com Libras e português voltado a crianças e adolescentes surdos ou com deficiência auditiva. Para garantir acesso ao conteúdo, a Cevid teve o apoio dos intérpretes Jorge Silva, Gilmara Pinheiro, Cleydiane de Sá e Samara, integrantes da Divisão de Inclusão, Acessibilidade e Sustentabilidade do Tribunal de Justiça do Amazonas (DIVIAS/TJAM). O artista circense Cleciano Chagas, o “Clé Clé”, auxiliou na interação e no engajamento dos alunos durante a atividade.

Ao final da palestra foi distribuída a cartilha “Perguntas e respostas sobre violência doméstica para jovens e adolescentes”, de 48 páginas, com linguagem voltada ao público jovem. A publicação é de autoria da desembargadora Graça Figueiredo e coautoria do servidor judiciário Igor Reis e tem sido entregue em ações educativas promovidas pela magistrada em instituições de ensino da capital e do interior.

Casos relatados e orientações

Entre os alunos que acompanharam a palestra havia pessoas que disseram ter presenciado agressões físicas do pai contra a mãe dentro de casa. Uma aluna relatou não saber como agir nessas situações. A desembargadora orientou que, quando possível, o aluno converse com o agressor para mostrar que o ato é grave; em caso de receio quanto à reação do agressor, outra orientação é relatar o fato às professoras da escola para que sejam tomadas providências.

‘Fiquei muito feliz em ministrar essa palestra e pudemos ver pelas perguntas que as crianças fizeram que existem as agressões presenciadas por elas e que elas não se conformam com isso. As principais dúvidas foram saber se isso é normal ou como se faz para denunciar. A Coordenadoria, as Varas Maria da Penha do Tribunal de Justiça e todos nós da rede de apoio estamos aqui para dar auxílio e ajuda para aquelas pessoas que se encontram nessa situação de violência dentro do lar’, disse Graça Figueiredo.

A magistrada afirmou que o trabalho do Tribunal de Justiça junto às escolas visa formar multiplicadores contra a violência doméstica.

‘Agressões tem que ser denunciadas, e é preciso que as crianças e adolescentes sejam multiplicadores na luta contra a violência doméstica. Não se bate em ninguém, muito menos em mulher. Precisamos viver em paz e todos somos iguais e com direito ao respeito. O sentido do voluntariado que eu faço é chamar os alunos para que eles não se omitam perante uma agressão, e que possam ser multiplicadores porque a violência não pode existir em nenhum grau e lugar’, comentou a magistrada.

Para o futuro

Para a diretora pedagógica do Instituto Filippo Smaldone, irmã Maria Damasceno, a palestra representa um aprendizado duradouro para os alunos do 2º ao 9º ano: a importância de não reproduzir violência no ambiente doméstico e, futuramente, nas próprias famílias.

O Instituto

Instalado há 42 anos em Manaus, o Instituto Filippo Smaldone atua na educação, assistência e saúde de crianças e adolescentes surdos ou com deficiência auditiva. A instituição adota o ensino bilíngue, com a Libras como primeira língua e o português como segunda, promovendo o desenvolvimento educacional e a inclusão dos estudantes.

Além do contato com alunos e gestores, a desembargadora também encontrou pessoas da terceira idade que participam de projetos comunitários do Instituto Filippo Smaldone.

Paulo André Nunes

Fotos: Raphael Alves

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